Importância da Artéria Epigástrica Inferior no Diagnóstico das Hérnias Inguinais

Publicado em October de 2010 - 3,420 visualizações

Dr. Simone Pedra News Artigos Cetrus Cetrus - 15 anos
Diagnóstico Pré-Natal de Arco Aórtico para a Direita e Origem Aberrante da Artéria Subclávia Esquerda
Dr. Adriano Czapkowski

• Graduado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí

• Médico coordenador do curso de 2 anos de capacitação em Ultrassonografia Geral do CETRUS

• Especialista em Ultrassonografia Geral pelo Colégio Brasileiro de Radiologia

• Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e SBUS

• Estágio em Ultrassonografia Intensivista no Hospital Ambroise Paré – Paris – França

• Médico Ultrassonografista do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo Dr. Euryclides

de Jesus Zerbini (Hospital Estadual Brigadeiro)

• Médico Responsável pelo Departamento de Doppler Geral e Vascular da Clínica GS Imagem –

Osasco/SP

• Médico do Trabalho – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

E-mail: adricz1@gmail.com

O propósito deste artigo é descrever além da anatomia da região inguinal onde a artéria epigástrica inferior tem uma relação anatômica relevante, como também demonstrar a sua contribuição para a classificação das hérnias inguinais.Leia o Artigo Completo

A artéria epigástrica inferior (Fig.1) é ramo da artéria ilíaca externa e, logo após sua emergência, tem uma relação íntima com o ligamento inguinal e com o anel inguinal interno.

Figura 1


Figura 1: AEI = Artéria Epigástrica Inferior

Ela pode ser identificada inicialmente passando ao longo da borda medial do anel inguinal interno, superior ao ligamento inguinal, ascendendo obliquamente e medialmente para o músculo reto abdominal.

Quando a parede abdominal posterior da região inguinal é observada, a artéria epigástrica inferior e o ligamento inguinal dividem a região inguinal em três principais áreas. (Fig. 2).

Figura 2


Figura 2: L = Ligamento Lacunar, H = Triângulo de Hesselbach, * Terceira área

A primeira área é o chamado triângulo de Hesselbach (H), o qual tem como seu limite inferior o ligamento inguinal, medialmente a borda lateral do músculo reto abdominal e, superiormente pela artéria epigástrica inferior.

A segunda área é a região lateral à artéria epigástrica inferior, logo acima do ligamento inguinal e, a terceira área é a região femoral (*) , inferior ao ligamento inguinal e lateral a veia femoral.

O conhecimento simples destes pontos anatômicos e sua perspectiva ecográfica, é o que é necessário, na grande maioria das vezes, para o conhecimento e o diagnóstico correto do tipo de hérnia inguinal a ser encontrada.

A hérnia inguinal indireta ocorre muito mais em homens devido à persistência do conduto peritônio vaginal. Quando presente, pode-se observar parte do conteúdo abdominal atravessando o canal inguinal.

Este tipo de Hérnia aparece ecograficamente à manobra de esforço lateralmente à artéria epigástrica inferior. O conteúdo abdominal é visto deslizando de lateral para medial. (Fig. 3a)

A hérnia inguinal direta surge quando há uma frouxidão da parede abdominal. O local onde pode ser identificado protrusão de conteúdo abdominal através da parede abdominal, é exatamente a topografia do triângulo de Hesselbach. Este local encontra-se medialmente à artéria epigástrica inferior. (Fig. 3b)

A terceira área de fraqueza e surgimento de herniação, é exatamente aquela abaixo do ligamento inguinal, medialmente e adjacente à veia femoral, onde surge a hérnia femoral ou crural. Este tipo de hérnia acomete mais as mulheres (Fig. 3c).


Figura 3

A artéria epigástrica inferior é de fácil identificação através de corte transverso acima do ligamento inguinal. Esse, deve ser identificado primeiramente com precisão. O ligamento inguinal estende-se entre a crista ilíaca e o pube. Após ter sido identificado, deve-se alinhar obliquamente o transdutor no seu maior eixo para melhor caracterização. (Fig. 4)


Figura 4: Alinhamento e identificação do ligamento inguinal.

Esta abordagem inicial servirá para posicionar o observador corretamente para identificar os vasos ilíacos que se localizam superiormente àquela estrutura. Portanto, após esse procedimento, o transdutor deve ser novamente direcionado para o eixo transversal e ser direcionado acima do ligamento inguinal, a fim de se identificar a artéria inguinal inferior. Apos a caracterização em corte transverso dos vasos ilíacos logo acima do ligamento inguinal, recomenda-se utilizar o recurso Doppler colorido para melhor identificar a artéria epigástrica inferior. (Fig. 5)


Figura 5: Identificação da AEI com o Doppler colorido.

Em seguida, deve-se retornar apenas ao modo B e, com cuidado para não deslocar o transdutor, solicita-se ao paciente a manobra de Valsalva. Desta forma, pode-se então avaliar o local exato do deslocamento do conteúdo abdominal e classificar o tipo de hérnia existente.


Avaliação de hérnia inguinal direta – Repouso.


Avaliação de hérnia inguinal direta à manobra

de esforço – protrusão medial à AEI.


Hérnia femoral – Protrusão lateral à veia femoral e abaixo do ligamento inguinal


Hérnia inguinal indireta – Deslizamento de conteúdo abdominal lateral à AEI.

Conclusão

A compreensão e reconhecimento da anatomia da artéria epigástrica inferior e da região inguinal, juntamente com o recurso do Doppler Colorido, auxilia efetivamente no diagnóstico diferencial entre os tipos de hérnias inguinais.

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Referências bibliográficas

1. Kraft B et al, Diagnosis and Classification of Inguinal Hernias,
Surg Endosc, 2003

2. Aiken J, Inguinal Hernias, in Nelson Textbook of Pediatrics,
17 ed, Section 4, 2004

3. Bradley M, Morgan D, Pentlow B, Roe A, The Groin Hernia – Ultrasound diagnosis, Ann Royal Coll Engl, 2003

4. Inguinal Region Hernias – Ultrasound Clin. 2 (2007) 711 – 725 -
Sonography of Inguinal Region Hernias – AJR: 187, July 2006


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