“Golf Ball” – Revisão da literatura
Publicado em 4 de March de 2008 - 2,296 visualizações
Por Dr. Rodrigo Lago
O “Golf Ball” ou Foco Ecogênico Cardíaco é definido como discreta área ecogênica no músculo papilar e/ou cordoalha tendínea, não aderida à parede ventricular, que se move simultaneamente com as válvulas atrioventriculares. Pode corresponder ao espessamento e/ou à presença de microcalcificações na cordoalha tendínea e/ou no músculo papilar, ocasionando eventualmente uma disfunção cardíaca.
O “Golf ball” foi descrito inicialmente na década de 80 e considerado como sinal ultra-sonográfico benigno. Posteriormente surgiram estudos demonstrando a sua associação com aneuploidias, entre elas a trissomia do 21 devido à sua alta incidência em fetos portadores da Síndrome de Down. Também se observou aumento da incidência em fetos com trissomia do 13, trissomia do 18, triploidias e Síndrome de Turner.
Segundo a literatura a sua incidência varia de 3 a 8% das gestações. Essa grande variação depende da população estudada ( maior em mulheres asiáticas), do tempo de exame, da posição fetal e da qualidade da imagem (quanto maior o grau de hiperecogenicidade, maior a associação com aneuploidias).
Quanto à época de aparecimento, o “Golf ball” pode ser visto a partir da 13ª semana de gestação, sendo que aproximadamente 60% dos focos não foram mais visibilizados posteriormente durante a realização da ecocardiografia fetal ( entre 20 e 22 semanas de gestação). Esse processo de resolução não é bem conhecido.
O Foco Hiperecogênico Cardíaco pode ser único ou múltiplo. A maior incidência é de um foco único no ventrículo esquerdo, aproximadamente em 60 a 90% dos casos. Foi encontrado maior associação de aneuploidias nos casos em que o foco é bilateral ( 27%) ou localizado no ventrículo direito ( 5,5%), em relação ao lado esquerdo ( 4,6%).
A decisão para a realização do cariótipo fetal dependerá da presença de fatores de risco para aneuploidias como: idade materna avançada, “screening” de testes séricos alterado, medida da translucência nucal, história familiar de aneuploidias e presença de outras alterações ultra-sonográficas detectadas após a realização de um detalhado estudo morfológico fetal. A presença do “Golf ball” sem alterações estruturais e funcionais cardíacas não justifica a realização de ecocardiografia fetal. Esta pode ter sua indicação justificada nos casos de focos bilaterais, múltiplos ou no ventrículo direito, devido a maior associação com malformações cardíacas nestes casos.
Conclusão
A presença isolada do “Golf ball”, independente da sua localização ou bilateralidade, deve ser considerada como um achado normal, devendo a conduta ser conservadora, principalmente quando o foco é detectado na primeira metade da gestação, pela possibilidade de resolução espontânea. No entanto para certificar-se que o “Golf ball” é um achado isolado, impõe-se ultra-sonografia detalhada do feto para excluir a presença de malformações estruturais ou marcadores de aneuploidias. A cariotipagem é mandatória frente à associação do “Golf ball” com anomalias estruturais do feto.


