Formas da VesÃcula Biliar à Ultrassonografia 2D e 3D
Publicado em 22 de julho de 2009 - 2.554 visualizações
por Sebastião M. Zanforlin; Maria Rachel V. M. A.; Valéria C. Nassif; PatrÃcia Zúniga C.; Cláudio C. Pires; Adriano Czapkowski; Joel Schmillevitch
A ultra-sonografia (USG) é hoje o melhor método para o diagnóstico de alterações da VesÃcula Biliar (VB). No entanto pouca atenção tem sido dada à sua variação de forma, que pode estar associada a manifestações clÃnicas, sendo que as principais são dor tipo cólica em hipocôndrio direito e sintomas dispépticos. Este estudo tem por objetivo demonstrar a capacidade da USG convencional (2D) e tridimensional (3D) em identificar variações de forma da VB.
Material e Métodos
Revisão da literatura e correlação com imagens da V.B. em 2D e 3D obtidas nos últimos 7 anos em nosso serviço.
Resultados Principais
Observamos grande variedade de formas, entre elas: VB alongadas, cotovelos, septações e duplicações. A USG 3D, disponÃvel nos últimos 3 anos, auxiliou nesta avaliação permitindo a obtenção de cortes coronais e oblÃquos, tornando o exame mais preciso.
Discussão
Embriologia
A V.B., assim como o fÃgado e o sistema de ductos biliares surgem de uma evaginação ventral da parte caudal do intestino anterior, chamado de divertÃculo hepático ou broto do fÃgado dará origem a todo sistema biliar, no inÃcio da sexta semana obstétrica. A pequena parte caudal do divertÃculo torna-se a V.B., e o pedÃculo deste forma o ducto cÃstico. A bile começa a ser formada por volta da 12 semana pelas células hepáticas. Após a 20 semana a V.B. é sonograficamente visÃvel em quase todos os fetos.
Classificação das anomalias da VesÃcula Biliar
1 – V.B. em gorro: Foi descrita por Bartel em 1916 e constitui a alteração de forma mais freqüente e de menor manifestação clÃnica. Consiste em uma dobra do fundo da V.B. sobre o corpo de tal forma que resulta em um septo transversal e uniforme, cuja espessura é o dobro da normal.
2 – V.B. septada/multi-septada : Consiste em uma V.B. única em seu aspecto externo e interiormente encontra-se dividida por dois ou mais septos transversais que se implantam em todo o perÃmetro vesicular, determinando um orifÃcio central que comunica a cavidades entre si. Os septos podem ser encontrados no fundo, no corpo e no infundÃbulo.
3 – V.B. em ampulheta : Se caracteriza pela existência de uma constrição anular entre o s terços médio e distal da V.B., visÃvel externamente.
4 – V.B. biloculada ou em V invertido : Existem duas cavidades independentes.
Indicações Cirúrgicas
A maioria dos casos de alteração de forma da V.B. evoluem sem sintomas clÃnicos, mas em casos onde o esvaziamento biliar é prejudicado devido a alteração da forma, ocasionando dor em hipocôndrio direito e dispepsia biliar, faz-se necessário a intervenção cirúrgica. As variações de forma mais passÃveis de intervenção cirúrgica são a V.B. septada e em gorro.
Conclusão
A USG é um ótimo método para avaliação da V.B., não apenas quanto a sua patologia, mas também quanto a sua variação de forma. Algumas V.B. se beneficiam do estudo tridimensional. A descrição precisa de sua variação anatômica pode auxiliar tanto o clÃnico, pois estas podem estar relacionadas com manifestações e queixas do paciente, quanto o cirurgião, no planejamento da abordagem cirúrgica do paciente.
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