Estudo com Eco-Doppler de Tumor do Corpo Carotídeo
Publicado em 16 de March de 2008 - 1,132 visualizações
Por Fernando L. Soma, Sebastião M. Zanforlin, Mauro S. Mattos, Móiseis S. Padillha, Adriano Czapkowski, Claúdio c. Pires, Joel Schimillevitch
Descrição
O corpo carotídeo é uma estrutura ovóide de dimensão aproximada de 1,0 x 1,5 mm, localizada na adventícia da bifurcação carotídea, constituído por células nervosas paraganglionares, é um quimioreceptor e tem função relacionada à percepção da pressão arterial.
O tumor do corpo carotídeo (TCC) foi descrito primeiramente por Haller em 1743. Os primeiros tratamentos cirúrgicos foram publicados por Reinger em 1880 (o paciente foi a óbito) e por Meydel em 1886 (o paciente desenvolveu hemiplegia). Scudder em 1903 fez a primeira remoção cirúrgica com sucesso.
O TCC são lesões incomuns, há formas adenomatosa e angiomatosa. São neoplasias de crescimento lento, localmente agressivas, podendo comprimir e/ou infiltrar a artéria carótida e nervos. A incidência na população é de 1:30.000, ocorre por volta da quinta década de vida. Estudos recentes sugerem herança autossômica dominante com penetrância completa. Em regiões de grande altitude observa-se predileção do TCC pelo sexo feminino. Os casos podem ser esporádicos ou apresentar caráter familiar (20% dos casos), nestes observa-se maior incidência de bilateralidade (30% dos casos) e podem estar associado com outros paragangliomas e distúrbios de coagulação.
A incidência de malignidade é estimada entre 5 e 10%. Embora a observação de invasão local agressiva com envolvimento da parede dos vasos carotídeos possa sugerir lesão cancerosa, a presença de metástases para linfonodos regionais, estruturas adjacentes, fígado ou pulmões é que permite indubitável certeza de malignidade. Aproximadamente 1000 casos foram descritos na literatura até 1990.
A apresentação clínica mais freqüente é a associação de cefaléia e massa cervical palpável no ângulo da mandíbula, que podem ser confundidos com cistos branquias, nódulos linfáticos, aneurismas de carótida, glândulas salivares ou neurofibromas.
Diagnóstico
Embora a Angiografia com biópsia seja o padrão ouro para o diagnóstico, demostrando massa hipervascular na bifurcação da carótida, a observação ultra-sonográfica de lesão tumoral hipoecogênica na bifurcação carotídea, remete ao diagnóstico do TCC.
Ao Doppler os achados típicos desta massa sólida hipoecogênica é de rica vascularização, mostrando baixa resistência arterial.
O Duplex scanning é um meio sensível para ser usado como screenning em casos esporádicos e familiares visando uma detecção precoce, confirmação diagnostica e seguimento. A Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética seriam usados para observar a eventual extensão da neoplasia e presença de metástases.
As novas técnicas de imagem permitem a detecção precoce de TCC em estágios inicias, antes de tornarem palpáveis. A suspeita clínica e o diagnóstico precoce são muito importantes, porque a ressecção de pequenos tumores diminue a morbi-mortalidade e a recorrência pode ocorrer em pequena porcentagem dos casos.
Conclusão
O Dupex- scannig é um método importante, não invasivo, sensível, permitindo a detecção precoce e confirmação diagnóstica para TCC. Nos pacientes em que optou-se por conduta conservadora, o Duplex-scannig pode ser utilizado para controle e seguimento. Em casos esporádicos e/ou caráter familiar pode ser utilizado para rastreamento e seguimento.
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