Cisto de Plexo Coróide: Importância no Prognóstico Fetal
Publicado em 22 de julho de 2009 - 5.771 visualizações
por Dr. Claudio Pires; Dr. Sebastião Zanforlin; Oliveira,S.F.; Vasconcelos,M.F.W.; Schmillevitch,J..
Introdução
Plexos coróides são estruturas localizadas no interior dos ventrÃculos laterais, constituÃdos por epitélio secretor, cuja principal função é a produção do lÃquor céfalo-raquidiano.
As imagens ultra-sonográficas dos plexos coróides consistem em estruturas hiperecogênicas, intra-ventriculares ao nÃvel do corpo, trÃgono e corno inferior.(12) A presença de estrutura cÃstica no interior dos plexos, é facilmente visibilizada, particularmente entre a 16ª e 20ª semana de gestação (9).
O cisto de plexo coróide é considerado um marcador menor para aneuploidias, principalmente para trissomia do cromossomo 18, é rara a presença isolada do cisto como a única caracterÃstica desta aneuploidia. Habitualmente associa-se a outras alterações anatômicas fetais identificadas ecograficamente. A incidência de cisto de plexo coróide em fetos normais variou de 0,4% (7) a 2,8%(10) , e em fetos com alterações cromossômicas de 0,5% (10) e 7% (9).
Objetivo
O objetivo deste estudo consiste em ressaltar a importância do cisto de plexo coróide no prognóstico fetal.
Material e Métodos
Realizado levantamento bibliográfico atualizado entre o perÃodo de 1995 a 2000, onde foi enfatizado a associação entre cisto de plexo coróide e aneuploidias fetais.
Resultados
Um estudo realizado evidenciou que a maioria dos fetos com cisto de plexo coróide apresentavam cariótipos normais, entretanto, a sua presença aumentaria o risco para trissomia 18 em 13,8 vezes(14).
Gupta e col. demonstraram que o risco para trissomia 18 em fetos sem cistos de plexo coróide é de 1: 4600 em mulheres com 20 anos e 1: 90 em mulheres com 45 anos. E na associação do cisto com a trissomia 18 aumenta o risco para 1: 2900 em mulheres com 20 anos e 1:50 em mulheres com 45 anos. (6) Não há relatos de aumento do risco da sÃndrome de Down na presença de cisto de plexo coróide isolado (6,7).
Em relação a multiplicidade, tamanho, bilateralidade e a complexidade dos cistos não há aumento dos riscos de aneuploidias (5,11,12).
Vários autores ressaltam a necessidade de procedimentos invasivos como amniocentese ou cordocentese para estudo cariotÃpico, somente se outros fatores de risco estiverem presentes, tais como: dismorfoses ao exame ultra-sonográfico, idade materna avançada, antecedentes obstétricos de anomalias cromossômicas ou marcadores sorológicos positvos (triple-teste alterado).(3,4,5,6,9,11,12,13,14)
A indicação de amniocentese e pesquisa cariotÃpica na presença de cisto de plexo coróide isolado somente foi publicada por Morcos e col.(10) .
Ghidini e col. Destacam a melhor visibilização das estruturas intra-cranianas fetais, quando a apresentação cefálica for observada, pela via transvaginal ou por ultra-som mais tardio, particularmente em fetos com cisto de plexo coróide.(3). Tal constatação tem sido confirmada em nosso setor.
Digiovanni e cols. realizaram estudo analisando o desenvolvimento fetal e crescimento após o nascimento, em crianças que apresentaram cisto de plexo coróide isolados, isto é, sem outras alterações morfológicas e concluiram que o desenvolvimento nessas crianças foi normal.(2)
Finalmente, evidências não apontam a associação significativa entre cisto de plexo coróide e sexo fetal ou uso de drogas ilÃcitas pela mãe.(1,8)
Conclusão
Presença isolada de cisto de plexo coróide, não justifica a realização da avaliação diagnóstica invasiva em todas as gestantes. Os fatores de risco incluem a idade materna avançada, antecedentes obstétricos de aneuploidias e especialmente outras dimorfoses detectadas no exame ecográfico. Diante da associação com outro fator de risco, a probabilidade de aneuploidia aumenta significativamente. Na presença do cisto de plexo coróide isolado, o esclarecimento e a tranquilização do casal deve ser precedido de rigoroso exame morfológico fetal.
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