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4. Estrutura
As placas são classificadas em homogêneas (ecogenicidade uniforme) e heterogêneas. Estas podem apresentar predomínio hipoecóico, anecóico, ou hiperecóico. Em 1994, Geroulakos e cols.2 publicaram a seguinte classificação morfológica das placas, que é freqüentemente citada na literatura.
Classificação das Placas Ateroscleróticas carotídeas (Geroulakos et al)
• Tipo 1: placas uniformemente ecolucentes com ou sem fina camada ecogênica.
• Tipo 2: placas predominantemente ecolucentes com menos de 50% de área ecogênica.
• Tipo 3: placas predominantemente ecogênicas com menos de 50% de área ecolucente.
• Tipo 4: placas uniformemente ecogênicas.
• Tipo 5: placas que não podem ser classificadas devido a grandes calcificações produzindo sombras acústicas.
5. Superfície
A característica de superfície da placa é classificada em lisa ou irregular, baseada no aspecto da imagem ao modo B e na avaliação através do Color e Power Doppler (figura 3). É impossível distinguir pelo ultrassom a superfície de uma placa que é verdadeiramente irregular ou ulcerada (isto é, aquela na qual a capa fibrosa ou endotelial tenha se rompido expondo os constituintes da placa). Em nossa prática diária empregamos o posicionamento de Strandness em seu livro texto de que “a ultrassonogafia não pode identificar de maneira confiável as ulcerações de placa e não deve ser empregada com este propósito”3.
6. Calcificações
São representadas por zonas hiperecóicas, determinando sombras acústicas. Podem ser únicas ou numerosas, puntiformes ou volumosas. Ocorrem em regiões de conteúdo lipídico ou necrótico. Representam fator limitante à avaliação da superfície da placa e à determinação precisa do grau de estenose (figura 4).
Correlações Histológicas:
1. Placas não complicadas:
Do ponto de vista anátomo-patológico, a placa não complicada é caracterizada como lesão uniforme caracterizada por abundância de tecido muscular liso e fibroso. Apresenta superfície lisa e ausência de calcificação. É considerada precursora de lesões mais avançadas.
Do ponto de vista ecográfico as placas não complicadas são evidenciadas como lesões isoecóicas ou hiperecóicas (compostas essencialmente de tecido conjuntivo fibroso). Placas anecóicas ou hipoecóicas são compostas essencialmente de lípides e as placas heterogêneas apresentam composição mista. Apresentam superfícies lisas e ausência de calcificações (figura 5).
2. Placas complicadas:
A placa complicada é lesão considerada clinicamente perigosa, traduzindo situação de instabilidade clínica. Apresenta superfície irregular com perda do revestimento endotelial. A exposição do colágeno subendotelial desencadeia adesão plaquetária e fenômenos trombóticos. Hemorragia intra-placa é freqüente e ocorrem graus variáveis de necrose, calcificação e infiltrados inflamatórios.
Do ponto de vista ecográfico a placa complicada é evidenciada como lesão heterogênea, com superfície irregular. A presença de áreas hipoecóicas no interior da placa podem corresponder a zonas de hemorragia. Deve-se enfatizar a capacidade limitada da ecografia vascular para caracterizar com precisão a superfície da placa (figura 6).
Correlações Clínicas:
• Hemorragia intra-placa
A demonstração de áreas hipoecóicas no interior da placa sugere a presença de hemorragia e confere à lesão caráter instável, com evolução potencial para rápido aumento de volume, agravando a estenose pré-existente ou para rotura da capa endotelial representando fonte de êmbolos.
• Ulceração
A presença de uma úlcera na placa aumenta o risco de embolia por descolamento de um trombo ou por expulsão de material necrótico ou lipídico de seu interior.
• Trombo
Trombos de aspecto recente, anecóicos, podem agravar o grau de estenose ou se descolar e embolizar para o cérebro.
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