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A Descrição das Curvas Espectrais Arteriais Periféricas

Publicado em abril de 2010 - 1.595 visualizações

Dr. José Olímpio Dias Junior News Artigos Cetrus Cetrus - 15 anos
A Descrição das Curvas Espectrais Arteriais Periféricas

 Dr. José Olímpio Dias Junior

• Coordenador da Divisão de Ecografia Vascular do CETRUS.
• Pós-graduando em Ciências da Saúde: Medicina Tropical da Faculdade de Medicina
  da Universidade Federal de Minas Gerais.
•Médico da Divisão de Ecocardiografia e Ecografia Vascular das Clínicas CEU (Centro Especializado
  de Ultrassonografia), IMRAD (Instituto Mineiro de Radiodiagnóstico) e CONRAD – Belo Horizonte – MG.
• Médico Pesquisador do ELSA (Estudo Multicêntrico de Saúde do Adulto) – Faculdade de Medicina
  da Universidade Federal de Minas Gerais

 E-mail: jolimpio@cardiol.br

Leia o Artigo CompletoAo longo dos últimos quinze anos tenho dirigido minha atuação profissional priorizando o aprendizado, desenvolvimento e educação continuada em Ecografia Vascular. Se há um tópico que considero desafiador, este é a caracterização morfológica das curvas espectrais das artérias periféricas. Há freqüentes interpretações discordantes sobre sua nomenclatura e sobre seu significado hemodinâmico. Por outro lado, trata-se de tópico que todos os profissionais que se iniciam no método desejam ter esclarecido logo na primeira aula que aborda os princípios físicos da Ecografia Vascular com Doppler. Tem sido bastante constrangedor para mim, que trabalho com o método e que participo da formação inicial de muitos colegas no CETRUS, expressar minhas dúvidas e indefinições acerca de assunto pretensamente básico.

Entre as fontes internacionais de referência em Ecografia Vascular recomendo o periódico Vascular Ultrasound Today, que aborda sempre um tema específico de relevância. Pode-se ter acesso a este periódico através do site www.chrestomathic.com, através de assinatura anual ou da aquisição de publicações isoladas. Trata-se de um periódico de excelente qualidade, cuja editora-chefe, Ann Marie Kupinski é autoridade reconhecida no assunto e o corpo editorial composto por profissionais de referência no método.

Uma das publicações do segundo semestre de 2009 se intitula Peripheral Arterial Waveform Descriptors – Absent, Vague and Contradictory. O autor é Robert Scissons, Diretor Técnico do Jobst Vascular Center Laboratory de Toledo, Ohio, nos Estados Unidos.

Confesso que li com muita atenção esta publicação e me senti reconfortado ao me incluir num grupo composto por profissionais respeitados que apresentam dúvidas semelhantes às que tenho experimentado ao longo do tempo. Em um grupo composto por RVT (Registered Vascular Technologists), RDMS (Registered Diagnostic Medical Sonographers), ARDMS (Registered Sonographers Multi-specialty) observaram-se discordâncias em alguns aspectos que reproduzem nossa experiência no CETRUS. Nesta publicação farei um resumo crítico do presente artigo, com alguns comentários que expressam minha opinião pessoal sobre o tema.

I – Introdução

O emprego das curvas espectrais Doppler para a avaliação não invasiva dos pacientes com doença arterial periférica representa método de avaliação hemodinâmica capaz de detectar características normais e achados patológicos. Os eventos primários que influenciam a morfologia das curvas são a freqüência cardíaca, a pressão arterial e alterações vasomotoras. A presença do fluxo reverso em diástole é de utilidade na diferenciação entre vasos sanguíneos doentes e normais.

Deve ser enfatizado que precedendo a análise espectral Doppler os fluxos perfiféricos já eram classificados em monofásicos, bifásicos e trifásicos, baseado no som obtido por aparelhos de Doppler não direcional sem registro gráfico.

As curvas espectrais normais nas artérias periféricas têm sido descritas como trifásicas (figura 1). Apresentam uma rápida ascenção sistólica, fase reversa no início da diástole, seguida de pequena fase anterógrada.

Na doença arterial periférica, ocorre perda do componente anterógrado diastólico seguida de progressivo desaparecimento do componente reverso protodiastólico, tornando a onda de característica monofásica (figura 2)

II – Pontos de maior controvérsia na pesquisa realizada entre profissionais da área

Pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2007, entre profissionais da ultrassonografia vascular (graduados e em formação), solicitados a classificar a morfologia de curvas espectrais Doppler mostrou alguns aspectos relevantes:

- Maior percentual de concordância:
Curvas trifásicas e bifásicas com
resistência elevada e componente reverso

- Maior percentual de discordância:
Curvas multifásicas com resistência
reduzida e ausência de componente reverso

III – Descrição da
Morfologia das Curvas

Curvas trifásicas: constituídas por três fases (fluxo anterógrado com ascenção sistólica brusca, fluxo diastólico reverso, e componente anterógrado no final da diástole.

Curvas bifásicas: há controvérsias sobre as descrições dos livros texto de ultrassom e publicações científicas acerca desta denominação. Na maioria das publicações são constituídas por duas fases (fluxo anterógrado com ascenção sistólica brusca e fluxo diastólico reverso fig. 3).

No entanto, padrões de resistência reduzida, sem componente reverso, como os encontrados após exercícios, em situações de aumento da temperatura corporal e infecções, têm sido referidos como bifásicos.Também os padrões de resistência reduzida registrados em artérias femorais comuns, distais a doença aorto-ilíaca tem sido descritos como bifásicos (figura 4).

Curvas monofásicas: na maioria das vezes representam ondas de baixa resistência, sem componente reverso e componente diastólico anterógrado. O padrão clássico é representado por onda com tempo de aceleração prolongado, morfologia arredondada indicativa de obstrução proximal.

Figura 1

 

Figura 2

 

Figura 3

 

Figura 4

IV – Posicionamentos

Em decorrência das dificuldades apresentadas e da necessidade de padronização como critério de validação do método, alguns posicionamentos devem ser adotados. Proponho em decorrência do estudo da publicação citada as seguintes:

1. Não caracterizar curvas espectrais obtidas a partir de fluxos de artérias abdominais e com destino cerebral em termos de padrão monofásico, bifásico ou trifásico.

2. Empregar em toda documentação de curvas espectrais a referência clara ao ponte de velocidade zero, para identificação do componente reverso.

3. Classificar as curvas espectrais em:

a) Curvas espectrais de alta resistência: presença de componente reverso (abaixo da linha zero), associam-se com vasos que não apresentam lesões hemodinamicamente significativa proximal ao ponto de exame. São consideradas ondas normais ou próximas ao normal.

b) Curvas espectrais hiperêmicas de baixa resistência: apresentam ascenção sistólica rápida e com componente distólico anterógrado. Estas ondas indicam hiperemia associada a exercícios, temperatura elevada ou doença proximal ou distal ao ponto de exame.

c) Curvas espectrais pós-obstrutivas de baixa resistência: apresentam ascenção sistólica lenta, sendo consideradas anormais e observadas em segmentos distais a lesões obstrutivas hemodinamicamente significativas.

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